Sobre o machismo impregnado em você

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Fonte: Google Imagens


Certa vez você me disse que a mulher ideal sabe passar, lavar, cozinhar e manter a casa em ordem. Também disse que ela sempre deve sorrir e acenar, passando uma imagem de boa namorada, esposa ou o que quer que seja. E eu ri. Até tentei discordar na hora, mas a dose de machismo impregnada em você era tão alta que me calei.

Em uma outra oportunidade, tive que ouvir que a mulher ideal tem que ser linda e gostosa. Não precisa ser esperta e inteligente, não senhor. Independente? Essa não é uma obrigação para o encaixe no posto de mulher perfeita.

O anúncio a procura de mulheres "pra casar" está em neon. O desejo de muitas é grande, mas a ficha é clara. Doa a quem doer, mas nesse posto só se encaixam as que deixam o cara assistir ao futebol com os amigos e de quebra colocam a cerveja para gelar. Só se encaixam as que não reclamam das saídas do namorado/marido/ficante, as que sabem passar com maestria e as que lavam roupas muito bem. Tem mais uma exigência. Precisa de hidratadas e delicadas mãos de fada e um bom dote culinário para preparar o café, o almoço e o jantar. 

Sobre essa sua ficha e suas exigências, ri novamente. Até pensei, como da vez anterior, em dar a minha mais sincera opinião, mas suas palavras se atropelavam tamanho era o desespero para falar, que optei por guardar minha ideia para uma próxima oportunidade.

Dia desses, vi você novamente. Mal nos cumprimentamos e o assunto chegou até a mulher ideal. Mesmo discurso, mesma mulher. Até a ficha não havia mudado. E como algumas coisas nunca mudam, já era de se esperar que eu desse uma risada. Você só não contava que dessa vez eu discordasse. Discordasse de um modelo a não ser seguido e de um homem machista.

Não te soa ridículo querer uma mulher perfeita ao seu lado? Um troféu para exibir aos amigos, parentes e colegas de trabalho? Pois saiba que, para mim, soa o cúmulo do absurdo.

Nem de longe eu me encaixo no posto de mulher perfeita.

Nunca fiz o seu tipo de mulher, nem o de caras como você. E isso não me entristece, nem chateia. A verdade é que não me encaixar nos padrões de sua ficha, é irrelevante para mim.

Não sei passar roupa com maestria e sou um desastre na cozinha. No quesito futebol, não sou o tipo de mulher que vai levar a cerveja gelada para o namorado e os amigos. Pelo contrário, sou o tipo de mulher que vai se sentar no sofá com todo mundo e gritar com a televisão, como se realmente estivesse no estádio.

Não sou o tipo de mulher que tem um airbag no lugar do cérebro. Eu leio, ouço música culta e troco uma conversa no whatsapp por algumas horas estudando gramática. Não me importo se minhas unhas estão pintadas ou não, e quando estão, não ligo de lavar a louça. Eu não me interesso em saber qual é a moda do momento, mas meus olhos brilham quando descubro um livro novo.

Não sou o tipo de mulher que vai usar um perfume caríssimo para que os outros se dobrem aos seus pés. Um tempo com um bom livro e seu cheiro de novo já me bastam.
Não sou uma mulher ideal, muito menos perfeita para o posto de troféu. Tenho minhas falhas, meus defeitos e, quando me perguntam, não hesito em escondê-los.

Não sou a mulher que vai bastar para alguém por se encaixar em exigências. Eu sou a mulher que não se enquadra nesses padrões de mulher ideal e nessas fichas sem nexo.

Desculpe-me, mas eu me encaixo em minhas regras, e a primeira e única delas é: não há regras de encaixe.

Desculpe-me, mas eu sou a mulher que não se importa com seu machismo impregnado nas palavras. Eu sou feliz e isso me basta.

Aliás, eu me basto por inteira!


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