Sobre
14:56
Hoje preciso escrever sobre. Sobre a carta que não mandei,
sobre as palavras que mantive em minha boca, sobre os medos que me afetaram,
sobre o indestrutível grito dado na calada da noite. Hoje preciso escrever
sobre. Sobre os tantos sobres que já nem sei quais são todos.
Sobre nossos sobres e vidas fundidas. Vidas que uma hora se
difundiram no silêncio avassalador que preencheu o ambiente quando todos já
estavam dormindo. Vidas que seguiram por rumos diferentes quando a cidade toda
se calava e os carros já não mais faziam barulho.
Hoje eu só preciso falar sobre nós. Sobre nós e sobre todos
os nós que tivemos que desatar.
Sobre nós devo dizer que me recordo dos sorrisos. Os seus,
brancos e retos. Os meus, metálicos por culpa do aparelho. Também me vem à mente
seus abraços. Recordo-me da forma como me protegia em seus braços,
prometendo-me que no dia seguinte uma boa dose de coisas boas estaria à
espreita. E estavam. Sempre estiveram.
Se eu dissesse, e note que usei uma condicional no começo da
frase, que mesmo após anos, é de você que lembro quando ouço a palavra amor,
você acreditaria? Foi amor na xícara de café tomada em dias frios, na confiança
transbordada, nas bochechas coradas com belas atitudes e, você sabe, na palavra
trocada na sinceridade de um olhar. Foi amor quando descobri que não saberia
ficar sem você. Foi amor quando me passou segurança. Foi amor no tilintar dos
sinos e na batida de portas. Foi amor até nos gritos, no medo e na dor. Foi
amor quando descobrimos o que realmente era amar.
Mas, como já dizia o grande Nando Reis, “..Eu pensei que o amor fosse só alegria.
Nunca pensei que amando fosse infeliz algum dia.”
Eu deveria saber. Deveria saber que ciúme em excesso faz
mal, que cuidado extremo nem sempre é bom e que para as coisas darem certo,
ambos os lados precisam ceder.
Deveria saber que um dia nós não estaríamos mais bailando no
centro do palco. Deveria saber que as luzes se apagariam e no lugar que um dia
foi nosso, só estaria um de nós. Deveria saber que escutar a nossa música teria
outro sentido quando eu estivesse sentada, com o rosto enterrado em qualquer
lugar que não fosse em seu abraço.
Quanta ignorância a minha ao pensar que eu sabia tudo,
quando, na verdade, não sabia nada.
E aqui estou, perdida entre os tantos sobres e entre os
tantos nós. Quanto a estes, tudo o que eu mais gostaria era de poder
desatá-los.
Mas quanto aos sobres que eu tanto precisava escrever...
Bom, acho que eles se perderam no caminho.
E por aqui me
despeço, sabendo que a vida segue e o amor também. Sabendo que o coração não
encontra outro dono senão o legítimo. Sabendo que, no final de tudo, isso é
sobre vidas. Vidas e (sobre)vidas.

1 comentários
Nossa, achei seu blog por acaso e estou apaixonada, você também escreve textos...aiin adorei e já estou acompanhando. Também tenho blog, mas sou iniciante, adoro escrever histórias se quiser visitar meu cantinho també meu agradeceria
ResponderExcluirhttp://meiosentimental.blogspot.com.br/
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